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Enem: alunos que passaram dos 50 anos desafiam o tempo na busca por vaga na universidade

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As questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) já são desafiadoras para os estudantes na faixa etária dos 17 e 18 anos. O que dizer, então, para quem esteve por duas, três décadas longe dos bancos escolares? É por isso que alunos e ex-alunos da rede estadual de educação do Paraná, que já passaram dos 50 anos, reforçam o trabalho de revisão do conteúdo, principalmente entre a primeira e segunda fase do exame, na tentativa de competir de igual para igual em uma prova de fogo até o próximo passo: a universidade.

É o caso de Judson Marcolino, 63 anos, que concluiu o Ensino Médio em julho no Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos, o Ceebja Paulo Freire, em Curitiba. Ele esperou a aposentadoria, aos 61 anos, para voltar a estudar na esperança de ter bom desempenho na prova do Enem e realizar o sonho de fazer faculdade de História.

“Não consegui estudar até o Ensino Médio quando era jovem, porque precisei trabalhar e não tinha tempo hábil para a escola. Para mim, conhecimento é tudo. Tanto que dos 14 aos 16 anos fiz um curso profissionalizante, que me deu oportunidade de ter bons empregos e uma aposentadoria razoável”, relata.

Aos 51 anos, a dona de casa Marinalva Maria de Souza, que terminou o Ensino Médio no Ceebja de Londrina, Norte do Estado, conta que a primeira fase do Enem, no dia 3 de novembro, foi difícil, mas que deu o melhor de si. “O tema da redação que tratou dos desafios para valorização da herança africana no Brasil é bastante falado, mas a preocupação com o tempo, a ansiedade e um pouquinho de insegurança me atrapalharam um pouco”, relembra.

E não é para menos. Marinalva esteve por mais de 30 anos longe dos livros e cadernos. Abandonou cedo os estudos para se casar, mas a chama de aprender sempre esteve acesa dentro dela. “Sempre quis ser assistente social para cuidar de idosos e de dependentes químicos e minha família me incentivou a realizar esse desejo na maturidade. A Educação de Jovens e Adultos foi o caminho”, ressalta ela, que é avó zelosa e se divide entre os cuidados com a neta e as quatro horas diárias de estudo.

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“A ‘profe’ aqui é só orgulho pela determinação da Marinalva, que está tendo dois desafios neste fim de ano: o Enem e o vestibular da Universidade Estadual de Londrina”, celebra a professora e incentivadora, Kátia Santos.

NÃO DESISTIR – Não são poucos os que estudam na Educação de Jovens e Adultos ofertada (EJA) na rede estadual de ensino. Dos 41.705 alunos matriculados na EJA, 3.300 têm 50 anos ou mais. Muitos deles concentrados em Curitiba e Região Metropolitana, onde, somados, chegam a 975 estudantes.

São mais de 280 instituições de ensino vinculadas à Secretaria Estadual da Educação do Paraná (Seed-PR) que ofertam a Educação de Jovens e Adultos (EJA). Para quem deseja estudar a partir do Ensino Fundamental, a duração do curso é de dois anos, em média, e para para quem precisa terminar apenas o Ensino Médio, o período é de um ano e meio.

“Alguns alunos conseguem adiantar e terminar o curso em um ano, já que ele ocorre em módulos”, explica Solange Valente, diretora do Ceebja Paulo Freire. Ela diz que há um bom contingente de pessoas que já passaram dos 50 anos matriculadas e que a maior parte quer apenas realizar o sonho de ter um diploma. “Sou suspeita para falar, porque quando fico sabendo que nossos alunos não pararam e entraram numa universidade, é muito gratificante. Por isso, quando eles desanimam, a gente sempre procura incentivá-los a não desistir”, comenta.

QUASE SETENTÃO – A palavra desistir nunca passou nem perto do vocabulário de Luiz Katsuaki Ueti, de 69 anos, também ex-aluno do Ceebja de Londrina, e candidato a uma vaga no curso de Jornalismo. “Mas se não for possível, pode ser no de Psicologia”, diz ele.

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Após mais de 50 anos sem estudar, ele decidiu voltar na tentativa de minimizar a frustração por não ter chegado a concluir o Ensino Fundamental quando jovem. “Fui assistindo meus primos se formarem na faculdade, com boas oportunidades de trabalho. Somente eu fiquei no caminho”.

Entretanto, Luiz tinha dois projetos de vida, um para 2024, que era conseguir o diploma do Ensino Médio, e outro para 2025: ingressar no ensino superior. O primeiro, conseguiu no primeiro semestre e o Enem está sendo a porta de entrada para a futura concretização, mesmo diante das limitações de enfrentar a máquina de hemodiálise três vezes na semana.

“Se tivesse a idade e a mentalidade de pessoas jovens que foram fazer o Enem, eu diria que a prova do último domingo foi fácil. Mas depois de 52 anos afastado de uma sala de aula, achei um pouco difícil, pois as questões, na maioria, eram muito subjetivas”, resume. Ele acha que neste domingo (10) o “bicho vai pegar”, porque acredita que as matérias de exatas bem mais difíceis.

O incentivo das professoras e direção do Ceebja foi um combustível a mais para que ele se sentisse animado, mas quando encarou a prova do Enem, Luiz até passou a considerar o projeto de 2025 como “utopia”. “Se não der certo pelo Enem, vou atrás de uma bolsa em uma faculdade particular, já que o salário de aposentado não dá pra pagar uma mensalidade. Quero demais entrar na universidade. Não importa de que maneira”.

Enquanto isso, Judson, o futuro acadêmico de História, já faz planos para depois da formatura. “Penso em fazer uma pós-graduação e depois, um mestrado, afinal, conhecimento nunca é demais”, prevê.

Fonte: Governo PR

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Governo do estado divulga o turismo paranaense durante a ExpoLondrina

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O turismo paranaense está sendo promovido pelo Governo do estado durante a 63° Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina (ExpoLondrina), uma das principais feiras agropecuárias do País. A Secretaria do Turismo (Setu-PR) está divulgando do segmento durante a feira, que segue até o próximo dia 13.

A pasta reuniu 17 expositores de artesanato e gastronomia de onze municípios paranaenses dentro do espaço Expo Sabores. E no pavilhão Expo Negócios e Varejo, estão dez expositores de hoteis, resorts, estâncias, agências turísticas e demais serviços do setor.

“Essa é uma grande feira, tanto em retorno financeiro aos expositores quanto de viabilidade ao Paraná. Por isso a importância de trazermos o turismo estadual para cá, junto de quem conduz o setor, que são as empresas, trabalhadores e prestadores de serviços turísticos”, disse Leonaldo Paranhos, secretário estadual do Turismo.

Organizada pela Sociedade Rural de Londrina, a exposição ocupa mais de 200 mil metros quadrados, com aproximadamente 300 expositores e deve atrair um público estimado em 500 mil visitantes. Ela é uma plataforma estratégica para empresas que desejam se expandir no mercado, fortalecer sua marca e criar novas conexões com clientes e parceiros comerciais.

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“A ExpoLondrina é importante também ao turismo, atraindo visitantes de todo o Brasil e mundo, além de investimentos que consolidam Londrina como destino em destaque. Os hotéis estão lotados, os restaurantes cheios e toda a cadeia econômica da cidade está em movimento na cidade”, explicou Herica Galli, diretora de Turismo do município.

OPORTUNIDADE – Em 2024, a ExpoLondrina recebeu mais de 470 mil visitantes e movimentou cerca de R41,26 bilhão em negócios, além de gerar aproximadamente 9 mil empregos diretos e indiretos. Uma boa oportunidade aos expositores da feira.

 “Agradeço muito ao Governo do Estado e à Secretaria do Turismo pela oportunidade de estar mostrando o meu trabalho e conhecer novos clientes”, disse a expositora Elisa Gerais Greca, da empresa Ofício.

Rosangela Silva, também agradeceu ao Estado pela oportunidade. “Faço parte do projeto Caminhos do Limoeiro, que fomenta o turismo rural em Londrina, vendendo as minhas geleias artesanais. Eu agradeço a oportunidade de estar aqui com a Secretaria do Turismo, que tem feito com que o setor estadual expanda cada vez mais”, ressaltou.

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IMPACTO POSITIVO – A ExpoLondrina tem um impacto direto na região, impulsionando o comercio, a industria hoteleira, restaurantes e serviços, além da geração de empregos, fixos e temporários. “Esse é um dos grandes eventos do setor da América Latina, por isso o fomento ao turismo é importante, porque a feira movimenta o comércios, hotéis e gira a nossa economia. Hoje nós percebemos que além de toda a questão do agronegócio, que é a base do evento, o turismo também tem espaço como mercado. Agradeço ao Governo do Estado pelo apoio à programação”, afirmou Fernando Teixeira, presidente do Londrina Convention & Bureau.

Fonte: Governo PR

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