PARANÁ
Do veto a calças a cargos de direção: mulheres da extensão rural viveram de tudo no campo
Publicado em
8 de março de 2024por
Itajuba TadeuO IDR-Paraná (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná) tem entre os seus 1.400 colaboradores 505 mulheres, o que dá uns 36%. São veterinárias, agrônomas, administradoras, engenheiras de alimentos, bibliotecárias, zootecnistas, jornalistas, pesquisadoras, assistentes sociais, engenheiras florestais, secretárias, técnicas agrícolas, economistas domésticas, técnicas de contabilidade e de segurança no trabalho e especialistas em ciência e tecnologia que atuam diariamente na empresa. E elas tiveram que enfrentar inúmeros desafios para dar uma roupagem de equidade no campo.
O serviço de extensão rural e assistência técnica foi criado em 1956 no Paraná com o objetivo de melhorar a produtividade da agricultura, ainda dependente de iniciativas particulares. O trabalho era desenvolvido por uma organização social, a Associação de Crédito e Assistência Rural, até que em 1977 o Governo do Estado encamparia a assistência aos produtores, ajudando a revolucionar o setor, diversificar as culturas e impulsionar a economia. Primeiro foram criados Iapar, Emater, Codapar e Centro de Referência de Agroecologia, e a partir de 2019 o IDR fundiu a atuação.
O conhecimento agronômico era o norte do serviço de extensão rural na época, mas apesar de haver registros de mulheres atuando junto aos produtores rurais, elas eram minoria e se concentravam na área de assistência e bem-estar social.
Rose Pontes entrou na Acarpa em 1971 para trabalhar na região de Cascavel, no Oeste do Estado. Na época, segundo ela, as mulheres não podiam usar calça ou dirigir. Também não era recomendado casar. “Acreditavam que o casamento ou a gravidez poderiam atrapalhar o trabalho”, afirma. Ela lembra que muitas vezes a profissional era levada a pedir demissão para casar ou ter filhos.
Formada em Geografia, ela atuava com educação de adultos antes de entrar na vida pública e foi incorporada no instituto para ajudar a organizar o atendimento nas pequenas propriedades de um Paraná ainda em formação agrícola, pré-geada negra. “Tudo era difícil. Além da relação com a roupa, eu vivi uma espécie de reserva porque as extensionistas que trabalhavam na região eram todas brancas e eu tinha a pele mais escura. Ou seja, no meu caso tinha até mais restrições”, recorda.
Mas aos poucos foi enfrentando as proibições. Começou a ir para o campo de calça comprida mesmo, alegando que havia muito mosquito nas propriedades, e depois juntou seu conhecimento de metodologia de ensino adquirido em empresas privadas com o método da extensão para repassar informações qualificadas aos produtores rurais sobre alimentação, saneamento e organização comunitária.
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Não demorou para que Rose fosse convidada a participar de treinamentos de lideranças e em 1973 foi transferida para o escritório regional de Campo Mourão, na região Centro-Oeste, onde passou a coordenar o programa de Bem-Estar Social da Acarpa. “Nessa época as mulheres começaram a ganhar um espaço ainda embrionário. Nos fizemos de surdas e fomos avançando”, conta. “Havia uma ideia generalizada de que só o homem produzia e a mulher era coadjuvante, tanto na propriedade rural como no serviço de extensão”.
Além do preconceito de gênero, as extensionistas tinham que conviver com uma estrutura hierárquica inflexível. “Não havia um reconhecimento do profissional de nível médio e o agrônomo tinha que ser chamado de doutor. Eles diziam que com esse tratamento seriam mais respeitados pelos agricultores. Eles não acreditavam que as profissionais mulheres poderiam ser figuras centrais na extensão rural”, lembra.
Lentamente, as mudanças começaram a ocorrer. Na década de 1990, as mulheres também começaram a ser reconhecidas pelas atividades nas propriedades rurais. Foi a partir dessa constatação que passaram a ter o direito de emitir a Nota do Produtor sem precisar usar o nome do marido no documento, contando também com a colaboração de extensionistas. No dado mais recente do setor, do Censo Agropecuário de 2017, 13% dos estabelecimentos eram chefiados por mulheres no Paraná.
Foi nesse ambiente que Rose construiu sua carreira. Ao longo do trabalho, com as conquistas, fez mestrado em Educação para Adultos na Universidade Federal de São Carlos e passou a trabalhar na área de Desenvolvimento de Pessoas com cursos de formação de extensão rural. Rose atuou no programa estadual de assistência aos produtores de baixa renda e depois de dez anos foi para Toledo, também no Oeste, onde prestou assessoria para a formação das comissões municipais de desenvolvimento, ficando até 2000, quando decidiu se aposentar. Hoje a cidade tem o maior VBP Agropecuário do Estado
Olhando em retrospectiva, afirma que foi preciso “matar um leão por dia”. “A extensão rural sempre foi muito conservadora. As mulheres ganhavam menos que os homens, porque diziam que não precisávamos ganhar bem. Em 1975 fizemos um primeiro plano de carreira, criando um perfil do extensionista e uma política de promoções que valia para homens e mulheres. E tudo mudou quando o instituto começou a admitir extensionistas mulheres de nível superior. Gradativamente elas começaram a assumir chefias de escritórios e diminuir as desigualdades de gênero”, observa.
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NOVOS TEMPOS – Solange Coelho é agrônoma do IDR-Paraná desde 1991. Já atuou na assistência direta a produtores na região Noroeste e há dois anos responde pela Diretoria de Gestão Institucional do Instituto. Para ela, as mulheres foram decisivas no trabalho no meio rural. “A presença e convivência com mulheres foram quebrando as barreiras, mudando aos poucos a cultura do instituto e do campo”, diz. Ao ser admitida no serviço, Solange já era casada e tinha dois filhos e teve que combinar seu trabalho e as obrigações familiares.
Em 2003 o marido se mudou para Curitiba e Solange o acompanhou, assumindo a função de assessora da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares do Estado do Paraná, por meio de um convênio firmado com o então Instituto Emater. Em 2005, assumiu a coordenação da Associação de Funcionários e passou a entrar em contato com questões administrativas. Depois seria convidada para assumir a coordenação administrativa do Centro Paranaense de Referência em Agroecologia, após ter feito uma especialização em agricultura biodinâmica e orgânica.
“Com a autarquização da Emater, em 2005, tive que aprender como funcionava a nova estrutura, a gestão administrativa, financeira, orçamentária e de recursos humanos, para estabelecer o processo de construção do CPRA”, lembra a diretora. Solange ainda passaria pela gerência administrativa do IDR-Paraná, antes de assumir, em 2022, a atual diretoria.
“O IDR sempre valorizou sua atividade-fim, a assistência técnica e seus profissionais. Como eu era agrônoma tive essa vantagem. Foi mais fácil para mim. Nesse fim de século já não enfrentei situações de preconceito. Talvez em algumas oportunidades houve o favorecimento de profissionais homens por causa do companheirismo masculino. Mas a presença de mais mulheres na instituição aos poucos foi mudando essa perspectiva”, ressalta.
Para Solange, a grande diferença entre homens e mulheres é a postura. “A autoestima masculina quase sempre é muito alta. Mesmo que o homem não tenha a formação necessária para assumir uma função ele corre o risco. O que não acontece frequentemente com as mulheres. Eu orientaria as mulheres a serem mais audaciosas e confiantes. Todas têm muitas competências importantes na gestão. É isso que vai fazer a diferença na instituição pelas próximas décadas”, afirma.

LIDERANÇA – Atualmente as mulheres ocupam importantes funções no IDR-Paraná, caso também da diretora de Pesquisa, Vania Moda Cirino. Ela ocupa a cadeira número 68 da Academia Brasileira de Ciência Agronômica (ABCA), que reúne cientistas brasileiros com destacada atuação nesse campo do conhecimento científico, e é referência nacional na cultura do feijão.
A pesquisadora é responsável técnica pelo desenvolvimento de mais de 38 cultivares de feijão, que contribuíram para aumentar a produção e a renda de pequenas propriedades rurais, reforçar a segurança alimentar da população e tornar o Paraná líder nacional na produção do produto, com mais de 400 mil hectares por safra, equivalente a 750 mil toneladas do produto.
Algumas das cultivares desenvolvidas pela pesquisadora, ao longo dos seus quase 38 anos de atuação no IDR-Paraná, estão entre as mais cultivadas em todo o Brasil. Elas respondem por 69% do feijão preto e 19% do feijão carioca produzidos no Brasil.
Fonte: Governo PR
PARANÁ
Estado incentiva inscrições para 2ª Olimpíada Brasileira de Inovação, Ciência e Tecnologia
Published
29 minutos agoon
3 de abril de 2025By

Estão abertas as inscrições para a 2ª edição da Olimpíada Brasileira de Inovação, Ciência e Tecnologia (Obict), competição de conhecimentos específicos na área voltada para alunos desde o primeiro ano do Ensino Fundamental até o Ensino Médio ou Ensino Médio Técnico das redes públicas e privadas de todo o País.
As inscrições são gratuitas e podem ser feitas de forma online pelo site www.obict.com.br/ ou pelo aplicativo Olímpico, disponível para os sistemas iOS e Android, até o dia 14 de abril, às 22h. As inscrições podem ser feitas pelos professores responsáveis das instituições de ensino, quanto de forma avulsa pelos alunos interessados.
Na primeira edição da Obict, o Paraná já demonstrou ser uma potência na competição. Além de ser o Estado com mais inscritos em todo o País (3.118 de 36.500 alunos), três estudantes do município de Borrazópolis, no Vale do Ivaí, conquistaram medalhas de ouro.
Para o secretário estadual da Inovação e Inteligência Artificial, Alex Canziani, o Paraná tem todos os recursos para se destacar novamente na segunda edição da Olimpíada. “Vamos fazer um trabalho muito forte em conjunto com outras secretarias, principalmente a de Educação, para que nossos alunos participem ativamente da competição e que neste ano possam ter ainda mais alunos sendo premiados”.
Os medalhistas de ouro, Gabriel Telles, João Paulo Machado Filho e Kauê dos Santos, cursam o 1º ano do Ensino Médio no Colégio Estadual José de Anchieta, mas foram premiados na categoria Ensino Fundamental, pelo desempenho nas provas aplicadas em 2024, quando então estavam matriculados na Escola Estadual Humberto de Alencar Castelo Branco, também em Borrazópolis.
“Os estudantes paranaenses têm se destacado em competições como a Olimpíada Brasileira de Inovação, Ciência e Tecnologia, e isso é fruto de um trabalho contínuo direcionado à inovação e à inclusão de componentes curriculares como programação e robótica nas escolas paranaenses. Você que é estudante da rede estadual, inscreva-se na olimpíada, e você, professor, incentive seus estudantes a participarem. Vamos, juntos, mostrar a qualidade da educação paranaense para todo o Brasil”, afirmou o secretário de Estado da Educação, Roni Miranda.
COMO FUNCIONA – A Olimpíada Brasileira de Inovação, Ciência e Tecnologia será dividida em quatro fases, sendo as duas primeiras de forma online e as duas últimas, presenciais. A primeira fase é a online e acontece entre os dias 2 e 14 de abril, com uma prova que utiliza recursos multimídia e com possibilidade de consulta. A segunda está prevista para entre os dias 21 e 27 de abril, também no formato online, mas sem possibilidade de consulta.
A terceira etapa, marcada para 30 de maio, será presencial e aplicada em diversos polos ao redor do Brasil. A quarta e última fase também acontece de forma presencial, com data e local a serem divulgados pela organização da competição.
São quatro categorias: Júnior, para alunos do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental; Sênior, para alunos do Ensino Médio e Técnico; a categoria livre, aberta para adultos e familiares acompanharem e incentivarem os jovens, e por fim a categoria para estudantes de 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental, novidade da segunda edição da Obict.
A inclusão da nova categoria visa estimular desde cedo o interesse de crianças pelos estudos em ciência, tecnologia e inovação, além do espírito competitivo. Todos os alunos inscritos recebem certificados de participação, e os melhores colocados recebem uma medalha exclusiva ao final da competição.
Fonte: Governo PR

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