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A partir do acervo do MAC-PR, pesquisadoras investigam a presença feminina na arte

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Em 1971, a historiadora de arte Linda Nochlin propôs uma indagação no seu ensaio publicado na revista ARTNews: “Por que não houve grandes mulheres artistas?”. Provocativo e questionador, o texto abordou as metodologias da história da arte, com narrativas centradas em grandes gênios, ignorando as barreiras institucionais, educacionais e sociais que impediram mulheres e artistas de grupos sub-representados de alcançar reconhecimento.

Em oposição a tais metodologias, duas pesquisadoras da Universidade Federal do Paraná (UFPR) investigam a exclusão cultural e material das mulheres na história da arte. Orientados pela historiadora doutora Stephanie Dahn Batista, os trabalhos de iniciação científica e monografia de graduação das estudantes Thais Wroblewski e Naiara Akel de Pauli identificaram as obras de artistas mulheres no acervo do Museu de Arte Contemporânea do Paraná (MAC-PR), estudando as atividades das mulheres como agentes culturais.

As pesquisas orientadas por Stephanie buscam preencher essas lacunas históricas, desafiando a assimetria na representação de artistas mulheres em coleções e acervos institucionais, analisando essa produção num contexto social e histórico adequado. “Realizar este tipo de investigação científica é como uma busca no escuro”, afirma a historiadora. “Mas os estudos mostram que as mulheres sempre produziram arte”.

Os acervos de obras e documentos das instituições museológicas são bases de dados valiosas para proporcionar descobertas que revisam narrativas antigas e excludentes. Nesse âmbito, além do extenso acervo de obras e itens históricos, o Museu de Arte Contemporânea do Paraná também tem o papel de salvaguardar a memória artística do Estado e do País.

Sob a gestão do Setor de Pesquisa e Documentação (SPD), o museu desempenha um papel crucial na proteção da memória institucional, registrando de maneira sistemática a produção artística contemporânea brasileira há quase 55 anos. Esse papel da instituição, como guardião de registros e conhecimento, além de gerar conteúdo detalhado sobre a história do museu e as obras em sua coleção, atende a demandas de pesquisas externas, contribuindo para a produção acadêmica nos âmbitos da arte, da história, e de outros campos do desenvolvimento científico.

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DIRETORAS DO MAC – Ao longo de sua história, o MAC Paraná teve 14 dirigentes, sendo dez mulheres. Esse é o foco da pesquisa que está sendo realizada por Thais Wroblewski, estudante do último ano de Artes Visuais na UFPR. A presença feminina em cargos de gestão no museu é uma das motivações. Thais iniciou sua pesquisa no programa de iniciação científica entre 2021 e 2022, com foco na análise das mudanças e inovações promovidas por essas administradoras. A investigação foi baseada na revisão dos documentos disponíveis no acervo do museu.

A pesquisa de Wroblewski destaca os obstáculos enfrentados por mulheres para alcançar visibilidade institucional. Ao analisar aproximadamente 300 encadernados e 60 dossiês, a estudante reuniu informações de todas as gestões femininas, revelando suas contribuições na administração do museu, no desenvolvimento de projetos, na organização de exposições e na aquisição de obras.

“A gente vê, que na história da arte, histórias femininas são negligenciadas em vários sentidos, então os resultados são importantes para que as mulheres possam ver que elas também podem ser artistas e pesquisadoras”, diz a estudante. Thais está expandindo sua pesquisa de iniciação científica para sua monografia de TCC, e planeja aprofundar a investigação em uma pesquisa de mestrado.

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Foram diretoras do Museu de Arte Contemporânea do Paraná: Mariza Bertoli; Elizabeth Titton; Adalice Araújo; Maria Cecília Noronha; Nadyedde Boldrin de Almeida; Maria Amélia Junginger; Eleonora Gutierrez; Leonora Pedroso; Ana Rocha. Atualmente, o cargo é ocupado por Carolina Loch. Além disso, a partir de 2024, o museu conta com o cargo de direção artística, assumido por Joanes Barauna, primeira diretora artística da instituição e mulher trans.

REPRESENTATIVIDADE FEMININA – A pesquisa de Naiara Akel de Pauli se concentrou na análise da produção de mulheres artistas em importantes museus de arte em Curitiba, incluindo o MAC Paraná. Inspirada na tese de livre-docência da historiadora e ex-diretora do MAC, Adalice Araújo, intitulada “Arte paranaense moderna e contemporânea” (1974), o estudo de Pauli analisou a produção artística de mulheres na história da arte do Paraná, mergulhando nas vidas e obras dessas artistas.

Naiara cita a importância de ter conhecido o trabalho de muitas artistas que não estão presentes em acervos do Brasil. “Eu acho que a academia tem muito a acrescentar à essa conversa com os museus. Espero que possa ser uma troca estabelecida através de pesquisa, de aprofundamento e de busca por reescrever essa história da arte do Paraná, que muitas vezes é muito branca e muito masculina, mais do que deveria ser”, concluiu a pesquisadora e artista. Acesse a pesquisa completa dela AQUI.

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As estudantes Thais Wroblewski e Naiara Akel de Pauli investigam a participação de mulheres na cultura paranaense. Foto: MAC-PR

MAC PARANÁ – As investigações conduzidas por Thais e Naiara, sob a orientação da professora doutora Stephanie Dahn Batista, trazem novas perspectivas sobre o papel e a presença das mulheres na arte paranaense, especialmente no contexto do MAC Paraná. Esses estudos são essenciais para uma reflexão crítica sobre o acervo do museu, os registros históricos e as futuras produções expositivas, promovendo uma abordagem que valoriza narrativas mais justas, inclusivas e plurais.

Museu de Arte Contemporânea do Paraná

Dentro do MON – Rua Marechal Hermes, 999

Terça a domingo, das 10h às 18h

R$ 30 e R$ 15 (meia-entrada), acesso gratuito toda quarta-feira

Sede Adalice Araújo

Rua Ébano Pereira, 240 – Piso térreo

Segunda a sexta, das 9h às 12h e das 13h30 às 18h

Acesso gratuito

Fonte: Governo PR

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Sanepar resgata animais e faz replantio de vegetação na Barragem Miringuava

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A Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) realiza desde janeiro o resgate da flora e fauna na Barragem Miringuava, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Mais de 300 animais foram resgatados, realocados ou afugentados. São cerca de 30 profissionais atuando no resgate, entre veterinários, biólogos, engenheiros florestais e técnicos.

Com capacidade para 38,2 bilhões de litros, o reservatório teve a desocupação da área verde autorizada em setembro de 2024 pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e licença emitida pelo IAT (Instituto Água e Terra). Estudos prévios à obra identificaram as principais espécies de vegetação e animais da região para preservar a fauna e a flora. 

Até agora, cerca de 30 hectares da área a ser inundada já tiveram a vegetação suprimida. Além disso, também está em andamento a execução dos novos acessos no entorno do futuro reservatório.

PROTEÇÃO E COMPENSAÇÃO AMBIENTAL – No entorno da futura represa são realizadas ações de recuperação e enriquecimento ambiental. As áreas antes usadas para pastagens e agricultura são restauradas com mudas de árvores nativas da região. No interior do reservatório são resgatados outros animais e plantas e realocados para áreas mais vegetadas. 

Com o trabalho, além de recuperar a área, a Sanepar possibilita uma compensação ambiental superior ao que será suprimido pela barragem. Com a medida, a Companhia compensará em torno de 700 hectares. Isso corresponde a uma área 62,6% maior à que será utilizada para a reserva de água. Ao todo, o reservatório ocupará 430,6 hectares.

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O engenheiro florestal da Sanepar Aurélio Lourenço Rodrigues explica que a região é rica em vegetação e abriga desde espécies comuns, como variações de orquídeas, até raras, como os xaxins. Essas espécies são fixadas em outras árvores ou no próprio solo, o que garante a manutenção da biodiversidade destes grupos.

Rodrigues destaca que a prioridade é a preservação das espécies em risco de extinção. “O trabalho precisa ser minucioso. Embora o abastecimento de água seja de grande interesse público, ele causa impacto. Nosso papel é minimizá-lo, garantindo proteção e sobrevida às espécies mais raras após a implantação do reservatório.”

CUIDADO DE ANIMAIS SILVESTRES –  Além dos animais realocados para as áreas de soltura, foram 75 animais afugentados, quando é feito o acompanhamento daqueles que se deslocam naturalmente, e 62 atendimentos veterinários no Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) e na base de atendimento móvel. Outros 12 animais foram destinados ao Museu de História Natural para fins científicos. Os principais animais resgatados são anfíbios e répteis, como cobras e sapos.

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A bióloga e gestora socioambiental da Sanepar, Ana Cristina Rego Barros, explica que a equipe avalia a condição dos animais resgatados. “Se ele está em condição física e a comportamental íntegra, retorna para as áreas de soltura. Quando se observa algum ferimento, ele é atendido pela equipe de veterinários, avaliado, tratado e depois realocado.” 

Ana Cristina explica que as cobras peçonhentas, sobretudo as jararacas, abundantes na região, são encaminhadas ao Centro de Produção de Imunobiológicos (CPPI), instituição ligada à secretaria estadual da Saúde, para a produção de soro antiofídico. Isso porque a sua soltura na região pode oferecer risco aos moradores.

Antes do corte das árvores, as equipes também fazem a coleta de colmeias de abelhas nativas sem ferrão e as realocam para o Núcleo de Conservação de Abelhas Nativas. Atualmente, são monitoradas nove colmeias.

“Todo o trabalho é feito em conjunto e simultaneamente com o trabalho de supressão da flora. A área que será suprimida em um determinado momento, passa por vistoria prévia pelas equipes de resgate, que atuam buscando as plantas de interesse para a realocação, como as ameaçadas de extinção e vestígios da fauna para afugentamento e resgate”, destaca a especialista.

Relembre o início das obras da última etapa da Barragem do Miringuava AQUI.

Fonte: Governo PR

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