17 de Abril de 2025
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    Mato Grosso conclui plantio da safra de algodão com expectativas de aumento na produção

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    Mato Grosso concluiu o plantio da safra 2023/24 de algodão, conforme divulgado pelo Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) nesta sexta-feira (23.02). Na mesma época do ano passado, a semeadura estava em 99,96%, enquanto a média dos últimos cinco anos é de 99,89%.

    Houve um avanço de 0,03 ponto percentual em comparação com a semana anterior. O Imea projetou uma intenção de cultivo de 1,36 milhão de hectares, um aumento de 15,37% em relação à safra anterior, com uma produtividade estimada de 284,34 arrobas por hectare, 8,61% abaixo do recorde registrado na safra 2022/23 devido às condições climáticas favoráveis. O Instituto estima uma colheita de 5,83 milhões de toneladas, representando um aumento de 3,79% em relação ao ciclo anterior.

    SOJA – Segundo o Imea, a colheita atingiu 76,44% da safra 2023/24. Houve um avanço de 11,37 pontos percentuais em comparação com a semana anterior e um aumento de 0,18 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano passado.

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    As regiões médio-norte e oeste estão na fase final da colheita, atingindo 97,38% e 95,62%, respectivamente. A produção estimada para a safra de soja é de 38,44 milhões de toneladas, representando uma queda de 11,08% em relação ao ciclo anterior.

    Em relação ao milho, 80,38% da área plantada da safra 2023/24 em Mato Grosso já foi concluída. O Imea prevê o plantio de 6,94 milhões de hectares, uma redução de 7,31% em comparação com o ciclo anterior, devido aos preços abaixo do custo de produção. A produção esperada é de 43,27 milhões de toneladas, representando uma queda de 17,58%.

    Fonte: Pensar Agro

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    AGRONEGÓCIO

    Na semana da Páscoa, indústria de chocolate enfrenta crise histórica

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    A Páscoa de 2025 chega em meio à maior crise já registrada no mercado global de cacau. Com a cotação da amêndoa batendo recordes históricos, a indústria do chocolate enfrenta um cenário crítico: falta de matéria-prima, custo em alta e risco de desabastecimento. O preço do cacau acumula uma disparada de 189% só neste início de ano, somado a picos que chegaram a 282% no mercado internacional ano passado, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria da Alimentação (Abia).

    O impacto dessa escalada já se reflete diretamente no setor produtivo brasileiro. No primeiro trimestre de 2025, a indústria processadora nacional recebeu apenas 17.758 toneladas de cacau, volume 67,4% menor em relação ao trimestre anterior, de acordo com a Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC). É um dos piores desempenhos dos últimos anos.

    Sem matéria-prima suficiente no mercado interno, o Brasil aumentou as importações para tentar garantir o abastecimento, trazendo 19.491 toneladas de cacau de fora — alta de quase 30% em relação ao mesmo período de 2024. Mesmo assim, a conta não fecha. A indústria terminou o trimestre com um déficit de 14.886 toneladas, o que acende o sinal de alerta sobre a sustentabilidade do setor.

    Embora os chocolates da Páscoa já estejam nas lojas desde fevereiro — resultado de compras antecipadas feitas pela indústria — os reflexos da crise serão sentidos ao longo do ano. A defasagem entre a produção nacional e o volume processado mostra que o Brasil voltou a depender fortemente do mercado externo, num momento em que a oferta mundial também está em colapso.

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    Gana e Costa do Marfim, que concentram mais de 60% da produção global, enfrentam quebras de safra causadas por pragas, mudanças climáticas e envelhecimento das lavouras. A menor oferta mundial reduziu os estoques ao menor nível em décadas, pressionando ainda mais os preços e criando um efeito cascata sobre todos os elos da cadeia.

    No Brasil, a situação também é crítica. A Bahia, que responde por dois terços do cacau nacional, entregou apenas 11.671 toneladas às indústrias no primeiro trimestre — retração de 73% frente aos últimos três meses de 2024. Técnicos apontam que o clima instável prejudicou o florescimento e agravou a incidência de doenças como a vassoura-de-bruxa, exigindo mais investimento em manejo e controle.

    Apesar da queda drástica na produção, o produtor baiano tem sido parcialmente compensado pelo preço elevado da amêndoa, que supera R$ 23 mil a tonelada. O custo dos insumos, por outro lado, já não sobe no mesmo ritmo, o que ajuda a preservar a renda do campo. Ainda assim, a insegurança climática e o risco sanitário mantêm o setor em alerta.

    Na tentativa de segurar os preços ao consumidor, a indústria brasileira está buscando alternativas, como mudanças nas formulações, cortes de gramatura e reformulação de produtos. Chocolates com maior teor de cacau — que dependem mais diretamente da amêndoa — devem ser os mais afetados. Já produtos de linha popular podem manter preços mais estáveis, ainda que com porções menores.

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    Mesmo assim, o consumidor já percebe reajustes nas gôndolas. O ovo de Páscoa, símbolo do período, está até 20% mais caro em relação ao ano passado, e a tendência é de novos aumentos caso a crise se prolongue.

    O atual desequilíbrio entre oferta e demanda reforça a urgência de investimentos em produtividade no Brasil. O país, que já foi o segundo maior produtor de cacau do mundo, hoje precisa importar amêndoa para manter sua indústria funcionando. Com lavouras envelhecidas, baixa produtividade média e forte dependência de condições climáticas, a cadeia brasileira está vulnerável.

    Segundo a AIPC, é necessário acelerar a renovação de pomares, incentivar o uso de clones mais produtivos e resistentes, e ampliar o acesso a crédito para pequenos e médios produtores. Também cresce a demanda por políticas públicas que favoreçam a expansão da cacauicultura na Amazônia, no Espírito Santo e em novas fronteiras agrícolas.

    Enquanto isso, o chocolate — produto culturalmente associado à celebração e ao prazer — pode se tornar um item mais raro e caro na mesa dos brasileiros. A crise do cacau já não é um problema futuro. Ela está acontecendo agora, e a Páscoa de 2025 é a prova mais amarga disso.

    Fonte: Pensar Agro

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