NOVA AURORA

AGRONEGÓCIO

Entidades nacionais apoiam suspenção do fornecimento de carne ao Carrefour

Publicado em

A decisão do Carrefour de vetar carnes de países do Mercosul em suas lojas na França provocou uma resposta imediata no Brasil e o movimento vem crescendo. Nesta sexta-feira (22.11) a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), liderada pelo deputado Pedro Lupion, articulou um movimento para suspender o fornecimento de carnes ao Carrefour e suas marcas no Brasil, como o Atacadão.

A medida foi endossada por grandes empresas do setor e entidades agropecuárias que, pelas primeiras informações, ontem mesmo deixaram de fornecer carne para o Carrefour e outras marcas do grupo no Brasil.

O veto do Carrefour foi anunciado pelo CEO global da empresa, Alexandre Bompard, que justificou a decisão como um gesto de solidariedade aos agricultores franceses, críticos ao acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia. Segundo ele, a rede “não venderá carnes do Mercosul, independentemente de preço ou quantidade”.

Lupion classificou a postura como “uma tentativa de lacração” e afirmou que a exportação de carnes brasileiras à França é pequena, mas que o impacto no mercado nacional será significativo para a rede francesa. Ele relembrou que, em casos similares, como o boicote da Danone ao agronegócio brasileiro, a pressão econômica forçou a empresa a recuar.

Fontes da indústria brasileira confirmaram que frigoríficos associados à Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne) iniciaram a interrupção de entregas ao Carrefour.

A Abiec representa as maiores empresas exportadoras de carne bovina do Brasil e tem papel estratégico no comércio internacional do setor. Dados preliminares indicam que 30% das lojas da rede no Brasil enfrentam dificuldades no abastecimento de carne bovina, enquanto fornecedores de frango começam a seguir o mesmo caminho.

Leia Também:  Fumaça da queima da lenha vira aditivo agrícola que reduz custos de produção em até 40%

Carta – Seis entidades do agronegócio brasileiro emitiram uma carta pública em repúdio à decisão do Carrefour. A carta foi assinada pela Abiec, Abrafrigo (Associação Brasileira de Frigoríficos), ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), SRB (Sociedade Rural Brasileira) e Aprosoja Brasil (Associação Brasileira dos Produtores de Soja).

No documento, as entidades questionam a posição do Carrefour. Elas argumentam que, se as carnes do Mercosul não são “à altura” do mercado francês, também não deveriam ser fornecidas às lojas da rede em outros países, incluindo o Brasil. A carta reforça que a postura do Carrefour contraria a qualidade reconhecida dos produtos do Mercosul e ignora os avanços feitos pela região em sustentabilidade e rastreabilidade.

Até o ministro da Agricultura e Pecuária (Mapa), Carlos Fávaro, declarou apoio às entidades agropecuárias e reforçou que o Brasil não aceitará imposições comerciais que prejudiquem seus produtores.

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende, a fala do CEO do Carrefour demonstra um profundo desrespeito ao agronegócio brasileiro, que é referência mundial em qualidade e sustentabilidade na produção de carnes. “Decisões unilaterais como essa, justificadas por suposta solidariedade ao agro francês, revelam uma tentativa de distorcer a competitividade do nosso setor no mercado internacional. Não podemos aceitar que narrativas infundadas sejam usadas para prejudicar a imagem dos nossos produtores”, disse Isan.

Leia Também:  Ratos causam prejuízo de 30% em lavouras de milho

“A iniciativa dos frigoríficos e entidades brasileiras de suspender o fornecimento ao Carrefour no Brasil é uma resposta necessária e legítima. Se a carne brasileira não serve para as prateleiras francesas, por que deveria abastecer as lojas dessa mesma empresa no Brasil? Essa atitude não apenas defende os produtores locais, mas também demonstra que o setor agropecuário brasileiro não será refém de decisões arbitrárias e politizadas”, comentou o presidente do IA.

Para Rezende, além de prejudicar os produtores brasileiros, esse tipo de postura coloca em risco o progresso das negociações do acordo Mercosul-União Europeia, que já enfrenta resistências na Europa. “O Brasil vem cumprindo seus compromissos em termos de rastreabilidade e sustentabilidade, e atitudes como essa só reforçam a necessidade de estabelecermos parcerias comerciais mais sólidas com mercados que valorizem nossos produtos e respeitem a realidade do agronegócio brasileiro”, completou Isan Rezende.

Em resposta, o Carrefour afirmou que o veto às carnes do Mercosul aplica-se apenas às lojas na França e negou desabastecimento no Brasil. No entanto, ainda não respondeu formalmente sobre as interrupções no fornecimento local.

O conflito ilustra os desafios nas negociações do acordo Mercosul-União Europeia, além de evidenciar o impacto de decisões corporativas em mercados estratégicos. A mobilização brasileira reflete a importância do setor de proteínas na economia nacional e como ele busca proteger sua reputação e participação global.

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Advertisement

AGRONEGÓCIO

Agronegócio gerou 278 mil novos empregos em 2024, diz Cepea/CNA

Published

on

By

O agronegócio brasileiro fechou o ano de 2024 com um total de 28,2 milhões de trabalhadores, registrando um crescimento de 1% em relação ao ano anterior.

O levantamento, realizado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), mostra que o setor continua sendo uma das principais forças da economia nacional, responsável por 26% dos empregos no país.

O crescimento foi impulsionado, principalmente, pelos setores de insumos, agroindústria e serviços ligados ao agronegócio. O setor de insumos teve alta de 3,6%, puxado pela indústria de rações, que aumentou seu quadro de funcionários em 14,6%. A agroindústria cresceu 5,2%, com destaque para os segmentos de abate de animais, fabricação de alimentos e móveis de madeira, que juntos criaram mais de 139 mil novas vagas. Já os serviços especializados para o agronegócio registraram um aumento de 3,4%, refletindo a maior necessidade de suporte técnico nas operações do setor.

Leia Também:  Granjas do sudoeste paranaense são destruídas pela chuva

Por outro lado, a pesquisa apontou uma queda de 3,7% no número de trabalhadores do setor primário, o que representa 302 mil vagas a menos. A redução foi mais expressiva na agricultura e na pecuária, afetadas por fatores como oscilações de preços, clima e avanços tecnológicos que reduziram a demanda por mão de obra.

O estudo também analisou o perfil dos trabalhadores e os salários do setor. Houve um aumento na participação de profissionais com nível de escolaridade mais alto e de mulheres no mercado de trabalho do agronegócio.

Além disso, os rendimentos dos trabalhadores cresceram 4,5% em 2024, superando o aumento médio do mercado de trabalho geral. O levantamento indica que essa valorização da mão de obra reflete a busca por mais eficiência e inovação dentro das cadeias produtivas do campo.

Fonte: Pensar Agro

COMENTE ABAIXO:
Continuar lendo

PARANÁ

POLÍCIA

ENTRETENIMENTO

ESPORTES

MAIS LIDAS DA SEMANA