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Estabilidade nos preços do suíno vivo preocupa produtores diante de custos crescentes

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Apesar de um cenário de estabilidade nos preços do suíno vivo nas principais regiões produtoras do Brasil, a alta nos custos de produção, especialmente no preço do milho, tem acendido um alerta entre os suinocultores. Em São Paulo, o preço do suíno se manteve em R$ 9,07/kg vivo pela sétima semana consecutiva, segundo a Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS). Já em Minas Gerais, o valor segue inalterado há oito semanas, com o quilo do suíno vivo cotado a R$ 9,00, de acordo com a Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais (Asemg).

A oferta restrita de animais prontos para o abate, aliada à dificuldade em elevar os preços de maneira significativa, tem pressionado o setor. Valdomiro Ferreira, presidente da APCS, destaca que, embora a demanda esteja equilibrada, o aumento no custo dos insumos agrícolas, como o milho, está prejudicando a rentabilidade dos produtores. “Há 45 dias, uma arroba de suíno comprava 2,93 sacas de milho, agora, com o aumento no preço do grão, essa relação caiu para 2,43 sacas”, explicou Ferreira, ressaltando que essa perda de poder de compra do suinocultor está afetando diretamente a sua lucratividade.

Cenário nacional – No Paraná, entre 26 de setembro e 2 de outubro, o preço do quilo do suíno vivo registrou uma leve alta de 1,61%, atingindo R$ 8,26, segundo o Laboratório de Pesquisas Econômicas em Suinocultura (Lapesui) da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Em Santa Catarina, estado líder em produção e exportação de carne suína no Brasil, os preços subiram de R$ 8,57 para R$ 8,59/kg vivo, conforme informações da Associação Catarinense de Criadores de Suínos (ACCS).

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Segundo Losivanio de Lorenzi, presidente da ACCS, a demanda por carne suína continua forte, mas a escassez de animais disponíveis para abate e a instabilidade nos preços dos grãos dificultam a elevação dos preços pagos ao produtor. “Esperávamos uma alta mais expressiva, mas a crise recente corroeu parte dos ganhos do setor”, disse Lorenzi, referindo-se aos custos de produção e à necessidade de uma estabilidade maior nos insumos para garantir a recuperação financeira dos suinocultores.

O aumento nos custos dos insumos agrícolas, principalmente o milho e a soja, tem sido o principal fator de preocupação para os suinocultores. Com o milho, principal insumo na alimentação dos suínos, subindo de R$ 58,00 para R$ 70,00 por saca, o impacto direto sobre a relação de troca entre suíno e grão tem sido sentido em todas as regiões. O consultor de mercado Alvimar Jalles, da Asemg, destaca que, apesar da alta demanda interna e externa, o ciclo de valorização do suíno parece ter atingido seu teto nas últimas semanas, e o setor precisa encontrar um equilíbrio para sustentar sua competitividade.

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Mesmo com o mercado de boi gordo firmemente posicionado em valores mais altos — a arroba bovina passou de R$ 240,00 para R$ 280,00 nos últimos meses —, o preço do suíno, que antes representava 70% do valor da carne bovina, agora está em torno de 58%. Essa diferença preocupa o setor, que precisa de melhores margens para manter a viabilidade das operações.

Embora os preços do suíno vivo se mantenham estáveis, a pressão dos custos de produção, especialmente o milho, levanta dúvidas sobre a sustentabilidade desse cenário no médio prazo. O setor, que vem enfrentando desafios desde o início do ano, pode precisar de políticas de apoio e estratégias de mitigação de riscos, como contratos futuros e negociações mais vantajosas de insumos, para enfrentar o cenário atual.

O equilíbrio entre oferta e demanda no mercado doméstico, combinado com a necessidade de reduzir os custos operacionais, será essencial para que os suinocultores brasileiros possam continuar competitivos no mercado global e garantir a sustentabilidade de suas atividades nos próximos meses.

Fonte: Pensar Agro

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Melhoramento genético revoluciona a cafeicultura e torna mais produtiva

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A cafeicultura mineira tem experimentado avanços significativos graças às pesquisas em melhoramento genético conduzidas pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), em colaboração com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e universidades.

Esses estudos resultaram no desenvolvimento de cultivares adaptadas aos diversos sistemas de produção do estado, promovendo aumentos expressivos na produtividade e aprimorando a qualidade sensorial dos cafés. Na década de 1980 a média que era de sete sacas por hectare, agora atinge 25 até 30 sacas por hectare.

Desde a década de 1970, a Epamig coordena o Programa de Melhoramento Genético do Cafeeiro, que já registrou 21 cultivares com características superiores. Essas cultivares são, em sua maioria, resistentes à ferrugem, principal doença que afeta o cafeeiro, e apresentam atributos como alta produtividade, qualidade sensorial da bebida, resistência a nematoides, adequação à mecanização e adaptação a diferentes condições climáticas e de solo.

Um dos pilares desse programa é o Banco Ativo de Germoplasma de Café, localizado no Campo Experimental de Patrocínio. Este banco é fundamental para a conservação e caracterização dos recursos genéticos do cafeeiro, servindo como base para o desenvolvimento de novas cultivares que atendam às demandas do setor produtivo.

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Entre as cultivares desenvolvidas, destaca-se a MGS Paraíso 2, lançada em 2012. Resultado do cruzamento entre Catuaí Amarelo IAC 30 e Híbrido de Timor UFV 445-46, essa variedade apresenta porte baixo, frutos amarelos, resistência à ferrugem, maturação intermediária e excelente adaptação tanto a sistemas de cultivo irrigado quanto de sequeiro. Além disso, facilita a colheita mecanizada e possui elevado potencial para a produção de cafés especiais.

A transferência dessas tecnologias para o campo é facilitada por projetos de avaliação de desempenho em propriedades comerciais. Essas iniciativas permitem que os cafeicultores conheçam as novas cultivares e observem seu desempenho em condições reais de cultivo, promovendo a adoção de tecnologias que resultam em sistemas produtivos mais eficientes e sustentáveis.

De acordo com o pesquisador em cafeicultura da Epamig, Gladyston Carvalho, as pesquisas buscam gerar conhecimento para o cafeicultor e oferecer, por meio da genética do café, aumento de produtividade e transformação no sistema produtivo. “São 587 municípios cultivando café, somos o estado maior produtor de café do Brasil, detemos média de 50% da área cafeeira e 40% da produção nacional. São muitos produtores que dependem da cultura e da pesquisa agropecuária”, explica.

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Fonte: Pensar Agro

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